11.12.17

A neurociência da mudança de ideias

Novas descobertas sugerem que é mais complicado do que os cientistas pensam

Todos os dias nossos cérebros se confrontam com decisões de último minuto. Ajustamos nosso passo para evitar um caminho escorregadio; quando dirigindo cansados procuramos um lugar para parar; mudamos a direção de nosso braço antes de golpear uma bola de tênis.

Cientistas há muito aceitam que nossa habilidade de parar abruptamente ou de modificar um comportamento está relacionada com uma única área dentro do córtex pré-frontal, uma área envolvida no planejamento e em outras habilidades substanciais. Ao estudarem outras partes em humanos e macacos, no entanto, uma equipe da Universidade Johns Hopkins concluiu que as decisões de último minuto são muito mais complicadas do que se acreditava – envolvendo complexa coordenação neural entre múltiplas áreas. As descobertas talvez ajudem os cientistas a revelarem aspectos relativos a dependência e a entender as razões das quedas se tornarem significativamente comuns conforme envelhecemos.

Os dados, publicadas na revista acadêmica “Neuron”, revelam que abdicar de um comportamento envolve intercomunicação dentre várias regiões do cérebro. Como resultado, mudar de ideia (mesmo após alguns milésimos de segundos depois de tomarmos uma decisão) é frequentemente muito tarde para alterar um movimento ou um comportamento. Usando ressonâncias magnéticas (dispositivo que monitora a atividade cerebral em tempo real), a equipe do Johns Hopkins descobriu que para reverter uma decisão é necessária a comunicação de modo veloz entre duas zonas especificas dentro do córtex pré-frontal e outra estrutura próxima chamada de "campo de olho frontal", uma área envolvida no controle do movimento dos olhos e na “consciência visual”.


A líder do estudo Kitty Xu – anteriormente uma graduanda na Hopkins e agora uma pesquisadora da rede social Pinterest –, explica que quando se trata de decisões rápidas, quanto mais uma decisão se perpetua no cérebro, há mais dificuldade em reverte-la. “Interromper um comportamento requer uma coreografia rápida entre várias áreas distintas, nossa pesquisa mostrou”, ela acrescenta. “Se mudamos de ideia sobre pisar no acelerador alguns milésimos após decidirmos aperta-lo – a comunicação já teria sido feita e enviada aos nossos músculos –, simplesmente não conseguiríamos parar.” Ela ainda ressalta que se mudarmos de ideia em aproximadamente 100 milésimos de segundo antes de tomarmos uma decisão, poderemos altere-la. No entanto, se esperarmos 200 milésimos, poderemos não sermos capazes de trocar de planos. Em outras palavras, talvez ganharemos uma multa por velocidade ou não conseguiremos evitar de rolar pelas escadas. Conforme envelhecemos, nossa comunicação neural diminui, contribuindo para mais ocorrências semelhantes, Xu acrescenta.

Para identificar as regiões envolvidas na suspensão de uma decisão, o novo estudo recrutou 21 pessoas para uma versão modificada de um teste de sinais comumente usados em estudos da neurociência comportamental que envolve abdicar de um comportamento planejado. Pacientes submetidos a ressonância magnética eram instruídos a olharem para um monitor, fixando seus olhos em um ponto quando ele surgisse na tela. Mas quando eles fixavam seus olhos, um ponto colorido aparecia, os incitando a olhar para o novo estimulo. Os pesquisadores analisavam quais áreas do cérebro eram ativadas durante tais tomadas de decisões e depois de terminarem o teste. Para confirmar seus resultados os autores do estudo realizaram o mesmo teste em um único macaco, utilizando de um eletrodo implantado. Assim, eles viram atividades em áreas análogas aquelas reportadas nos testes com humanos – quando eles paravam de olhar para os primeiros em detrimento dos coloridos.

Rastrear tais movimentos oculares e sua atividade cerebral, permitiu aos pesquisadores estabelecerem quais áreas se relacionam com as decisões imediatas, diz o pesquisador Jeffrey Schall da Universidade de Vanderbilt – que não participou da pesquisa. “Ao combinar as imagens da ressonância magnética com a neurofisiologia de macacos os pesquisadores unem tópicos de pesquisa que há muito eram vertentes separadas,” ele acrescenta. “Se conseguirmos entender como o cérebro para ou evita uma ação, talvez ganhemos a habilidade de aprimorar nossa tomada de decisão, proporcionando aos indivíduos mais controle sob suas escolhas.”

Xu espera que tais informações sobre como é difícil para o cérebro alterar planos – uma tarefa que fica cada vez mais difícil quando envelhecemos, pois, a comunicação neural naturalmente diminui –, possa eventualmente ajudar os pesquisadores a estabelecerem formas de intervenção, nos ajudando a decidir mais rapidamente e de modo mais seguro. No curto prazo ela espera ajudar idosos a evitarem quedas e a mudar a impulsividade de pessoas dependentes.


“Quanto antes eu possa me livrar dos meus planos de beber ou de usar drogas,” ela fala, “menos probabilidade terei de realiza-los.”


Artigo original: https://www.scientificamerican.com/article/the-neuroscience-of-changing-your-mind/

Life is violent!
Ajude a Violent, comente, siga nosso twitter e nos divulgue.

https://twitter.com/violentsubs

0 comments:

Post a Comment

Creative Commons License